<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3988815754805466208</id><updated>2012-02-17T00:38:28.645-02:00</updated><title type='text'>Lena e Letras</title><subtitle type='html'>Crônicas, textos, palpites e comentários.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Lena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>8</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3988815754805466208.post-947278929755748223</id><published>2012-01-11T15:26:00.000-02:00</published><updated>2012-01-11T15:27:07.828-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;mso-outline-level:1"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: 'Century Gothic', sans-serif; "&gt;Criança Inventa Cada Uma! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family: 'Century Gothic', sans-serif; font-size: 10pt; "&gt;Às vezes, não parecia que havia criança em casa. Filho único acostumado a brincar sozinho, ficava horas e horas montando e desmontando Lego ou transformando algum eletrodoméstico estragado e sem conserto, em outra coisa qualquer. Estava sempre inventando ou refazendo algo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: 'Century Gothic', sans-serif; "&gt;Já inventou uma forma de abrir a lata de lixo com um simples toque num botão, na parede; um carro-robô que carrega suco sem derramar; pipoqueira, ventilador e leitora de cartões, todos à bateria; cofre ou caixa-forte com segredo (impossível descobrir como se abre aquilo!); banco eletrônico (com sinal sonoro na saída das cédulas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: 'Century Gothic', sans-serif; "&gt;(em miniatura)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: 'Century Gothic', sans-serif; "&gt;); um sistema  interno de tv que liga quando a luz do ambiente é acesa; e tantas outras geringonças que, em seguida, voltavam a ser sucata ou peças e motores do Lego. Assim como as criava, ele as destruía,  mas com maior velocidade. Principalmente se surgisse uma nova ideia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: 'Century Gothic', sans-serif; "&gt;E ele também inventava histórias. Algumas, mirabolantes, em que ele aparecia como espectador, quase sempre encobrindo uma travessura. Só se incluía nela quando o desfecho lhe favorecia. Se aparecesse  quem o escutasse com interesse, então, a história crescia. E o entusiasmo dele também. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: 'Century Gothic', sans-serif; "&gt;Sua imaginação vem de longe. Gostava de inventar palavras desde bem pequeno. Se não inventava, ele emendava um pedaço de uma em outra, até encontrar a que traduzisse o que queria dizer. Só não as guardava. Mas ainda me lembro de uma ou duas: subsolático (nome do avião que ele inventou 'para ser movido com energia solar', como dizia); piferroz (prato preferido dele: purê, bife, feijão e arroz). Outras tantas já se perderam, caíram no esquecimento. Nem ele as lembra mais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: 'Century Gothic', sans-serif; "&gt;Mas uma ainda resiste. Começou em uma frase, depois em duas palavras e hoje é menos que uma 'palavra-valise', embora carregue o mesmo conteúdo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: 'Century Gothic', sans-serif; "&gt;Quando o ouvi dizendo pela primeira vez, ele devia ter 5 ou 6 anos e eu nem acreditei: "-Ho-je-eu-não-ga-nhei-ca-ri-nhô!" Bem assim, num só fôlego, mas pausadamente, e com ênfase na última sílaba. Explícita, sem sutilezas, e ainda com ritmo! Era assim, puxando na barra do meu vestido, ou encostando a cabecinha no meu joelho, ou sentando no meu colo, que ele pedia o carinho (a mais) de cada dia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: 'Century Gothic', sans-serif; "&gt;Hoje, adolescendo rápido e falando mais rápido ainda, inventando coisas e modos enquanto muda de voz, sempre me alegra e surpreende, quando pede o carinho que a cada dia tem menos tempo ou paciência de receber: "-nhô!" Pieguices à parte, eu adoro!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: 'Century Gothic', sans-serif; "&gt;(Crônica de Lena Chagas – Publicada no site Anjos de Prata - 2005)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3988815754805466208-947278929755748223?l=lena-e-letras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/feeds/947278929755748223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3988815754805466208&amp;postID=947278929755748223&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/947278929755748223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/947278929755748223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/2012/01/crianca-inventa-cada-uma-as-vezes-nao_7574.html' title=''/><author><name>Lena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3988815754805466208.post-6008192808255251052</id><published>2012-01-04T14:56:00.003-02:00</published><updated>2012-01-04T15:08:47.918-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span  &gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A verdade da mentira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que se sabe a humanidade sempre conviveu com a mentira. Platão já teorizava sobre o uso autorizado da mentira na política, referindo-se a duas espécies de mentira: uma moralmente admitida - ou mentira útil -, e outra absolutamente condenável, a mentira autêntica. Nietzsche escreveu que o homem precisa de mentiras. O poeta T. S. Eliot acrescentou que o ser humano não suporta muita realidade. Proust afirmava que a mentira é essencial à humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebemos, de fato, que a maioria das pessoas é tolerante com as chamadas mentiras convencionais e mentiras sociais - desde que não ofensivas nem mal intencionadas, e até mesmo concorda que, muitas vezes, a mentira se faz necessária ou se justifica. A tolerância a essas mentiras será maior ou menor conforme os valores morais e éticos de cada um, e, quase sempre, visando evitar conflitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o assustador, em nossos dias, é que a mentira assumiu uma dimensão institucional, esfacelando toda a estrutura ética do sistema e aniquilando, de vez, com a já frágil credibilidade. A mentira se justifica sempre que estiverem em jogo os interesses e/ou a sobrevivência dos poderosos. Ninguém é ingênuo ao ponto de acreditar que a verdade e a ética são virtudes inerentes e inabaláveis da política. Ao contrário. Mas monopolizar o discurso e as atitudes em bases fictícias ou negar o óbvio é, para dizer o mínimo, um deboche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esse comportamento na área política e governamental, que se nos escancara, todos os dias, nos meios de comunicação do país banalizou-se de tal forma, que criticar o mentiroso é correr o risco de ser vaiado; dependendo do protagonista pode até resultar em processo por dano moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esse aval, o mentiroso sente-se seguro para demonstrar seu espanto arrogante frente à queixa ou indignação de quem o flagrou na mentira. Alguns, tão acostumados à prática mentirosa - ao ponto de acreditar nas próprias mentiras -, chegam a derramar lágrimas sobre os brios feridos, ofendidíssimos pela acusação que alegam estar sofrendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado de cá, pagando por esse espetáculo nefasto, seguimos passivos a assistir, estarrecidos e impotentes, lamentando a certeza de que, se não nas brechas da lei, o mentiroso encontrará amparo no colo da impunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É trágico reconhecer que estamos sendo vencidos pela fraude que se instalou na nação, e que já nos parece demasiado enfadonho procurar a verdade, pois uma vez encontrada nunca nos é satisfatória. Enquanto ficamos embevecidos com o empenho das autoridades em busca da verdade, a mentira continua fazendo seu show. E a julgar pelo cenário, sempre haverá aplausos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Crônica de Lena Chagas, publicada na 9ª Antologia dos Anjos de Prata – 20 de outubro de 2009)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3988815754805466208-6008192808255251052?l=lena-e-letras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/feeds/6008192808255251052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3988815754805466208&amp;postID=6008192808255251052&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/6008192808255251052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/6008192808255251052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/2012/01/verdade-da-mentira-ao-que-se-sabe.html' title=''/><author><name>Lena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3988815754805466208.post-499245306626907352</id><published>2012-01-04T11:27:00.009-02:00</published><updated>2012-01-04T14:56:06.808-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="text-align: justify; color: blue; "&gt;&lt;b&gt;Circunlóquios&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="text-align: justify; color: blue; "&gt;Quem me conhece, sabe: não gosto de meias palavras, rodeios ou panos quentes. Prefiro que me digam as coisas de uma vez só, sem floreios nem entremeios.  Tanto as notícias boas, como as ruins. Sem homeopatia ou complacência. &lt;/span&gt;&lt;span style="text-align: justify; color: blue; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt;Mas nem todas as pessoas lembram disso a tempo. Outras tantas, nem sabem desses detalhes. E entre essas, conheço umas especialistas.  Especialistas em dar notícias.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt;Algumas precisam contar uma historinha antes, com ou sem nexo, para depois chegar na propriamente dita.  Outras, talvez mais sentimentais, tentam poupar o ouvinte de uma má notícia, dando-lhe uma boa, antes. Também há as que gostam de entrar em detalhes, que montam um cenário e até representam o que têm a dizer.  E existem aquelas que nos mandam adivinhar a boa nova. Ou, ainda, as que já chegam dizendo que não vamos acreditar no que aconteceu.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt;Mas também há quem goste de ser o porta-voz da notícia ruim; tem preferência pela má notícia, aquela que ninguém quer dar. Aparentemente solidário, antecipa-se e se oferece em sacrifício para transmiti-la. No fundo, sente um enorme prazer em ver o sofrimento ou a frustração de quem a recebe. Não acredita? Houve um tempo em que eu também não acreditava.  Exceções, doentias exceções.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt;Por outro lado, quase no outro extremo, estão aquelas  pessoas que vão direto ao ponto.  Sem papas na língua. Se doer, assopra. Às vezes, são tão diretas, que até me assustam.  - Quem mandou? Agora, aguenta!&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt;&lt;span&gt;Exageros à parte, notícias sempre chegam. As boas - não sei por que - demoram um pouco mais; as más chegam voando.  Às vezes,  já estão nos esperando.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt;Naquele 31 de dezembro, foi assim. Quando cheguei ao trabalho, alguém  já me esperava, na minha sala.  Nem imaginava qual poderia ser o assunto já àquela hora, antes das 9 da manhã. O expediente seria reduzido – das 9 ao meio-dia -, para que todos pudessem participar da confraternização oferecida aos funcionários, talvez, por isso, a pressa dele - pensei.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt;Disse um bom-dia com o sorriso de sempre, perguntou se estava tudo bem e pediu que eu sentasse. Não conseguia disfarçar seu olhar de expectativa, enquanto eu puxava a cadeira e lhe respondia. Esperava por algo mais.  Bem mais do que eu, que ignorava o que lhe causara tanta satisfação. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt;Percebendo minha inquietação, tratou de prolongar aquele mistério e aguçar minha curiosidade - que já era maior em relação ao seu comportamento do que à novidade que ele insistia em me mostrar com tanto vagar –,  saboreando cada palavra que dizia, sem revelar o assunto.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt;Depois de muitos rodeios, uma pista. Só então pude perceber do que se tratava. Na medida em que ouvia suas palavras, eu murchava como uma chama de vela, quando lhe falta o oxigênio. Em poucos segundos, desmoronei.  Mesmo assim, impossível não flagrar o deleite que transbordava dos seus olhos, enchia  seus gestos e fluía no tom de sua voz. Era prazer. Puro prazer. Desonesto prazer.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt;Saiu da sala saciado, não antes de me desejar um feliz ano novo.  Das horas seguintes, não lembro de nada.  De alguns anos, esqueci.  Afinal, já faz tanto tempo!&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt;&lt;span&gt;Trauma? Nem tanto! Só sei que sou avessa a circunlóquios! &lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="color: blue; "&gt;(Crônica de Lena Chagas, publicada no site Anjos de Prata - 2006).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3988815754805466208-499245306626907352?l=lena-e-letras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/feeds/499245306626907352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3988815754805466208&amp;postID=499245306626907352&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/499245306626907352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/499245306626907352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/2012/01/circunloquio-quem-me-conhece-sabe-nao.html' title=''/><author><name>Lena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3988815754805466208.post-2707913255433226273</id><published>2012-01-04T10:48:00.003-02:00</published><updated>2012-01-04T13:26:40.611-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;b style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;Do Teu Olhar&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right:1.1pt;text-align:justify"&gt;&lt;span  &gt;Desde muito cedo, percebi que um olhar diz muito mais que as palavras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right:1.1pt;text-align:justify"&gt;&lt;span  &gt;Cresci sob olhares que não precisavam de palavras para demonstrar reprovação, desagrado ou para impor limites: sem gritos nem pancadas; apenas um olhar e pronto: já entendi! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right:1.1pt;text-align:justify"&gt;&lt;span  &gt;Deve ser por isso que, para mim, o olhar decide. E é assim, em várias situações da vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right:1.1pt;text-align:justify"&gt;&lt;span  &gt;Como quando se trata de entender ou me fazer entender pelo outro, num relacionamento amoroso, por exemplo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right:1.1pt;text-align:justify"&gt;&lt;span  &gt;Uma paixão começou assim: uma troca de olhares e poucas palavras. Durante horas, parecíamos em estado de contemplação – aquela bobeira que só acontece com quem está apaixonado -, cada um lendo o pensamento do outro na pupila que se dilatava até quase esconder a cor dos olhos, como um eclipse total do sol. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right:1.1pt;text-align:justify"&gt;&lt;span  &gt;Nenhum dos dois procurava palavras bonitas, excitantes ou lisonjeiras para dizer. Estava tudo ali, escancarado em cada olhar. O entendimento foi consequência; nasceu da sintonia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right:1.1pt;text-align:justify"&gt;&lt;span  &gt;Para a percepção do olhar do outro, não precisamos ir tão longe, basta estarmos atentos. Os olhos não usam palavras, transmitem sentimentos. Temos de saber traduzi-los.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-right:1.1pt;text-align:justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span &gt;Crônica de Lena Chagas, publicada no site Anjos de Prata - 2004.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3988815754805466208-2707913255433226273?l=lena-e-letras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/feeds/2707913255433226273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3988815754805466208&amp;postID=2707913255433226273&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/2707913255433226273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/2707913255433226273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/2012/01/do-teu-olhar-desde-muito-cedo-percebi.html' title=''/><author><name>Lena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3988815754805466208.post-5100263261792758123</id><published>2011-12-31T04:19:00.005-02:00</published><updated>2011-12-31T04:29:05.399-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span &gt;&lt;i&gt;Se não me falha a memória...&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span &gt;Sempre preferi o doce ao salgado, mas de uns tempos para cá, comer doces passou a ser um desejo quase incontrolável. Não qualquer doce, mas alguns em especial.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span &gt;Depois de uns quilos a mais e o índice de açúcar nas alturas, resolvi procurar uma explicação para essa voracidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span &gt;Comecei esbarrando naquelas hipóteses óbvias e já há muito conhecidas como a compulsão, a ansiedade, a depressão, e por aí afora...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span &gt;Mas por que procurar justificar um prazer como se houvesse um motivo amargo a ser compensado por uma doçura? Por que não se deliciar com o prazer, simplesmente?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span &gt;Tentei, então, fixar a atenção no que acontecia enquanto saciava algum daqueles desejos. Percebi que em muitas vezes chegava a fechar os olhos para viajar nas lembranças que um determinado sabor me trazia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span &gt;A geléia de cassis, os bombons recheados de licor ou as cerejas ao vinho do Porto, por exemplo, são sabores que me trazem nítidos detalhes de momentos muito especiais vividos numa paixão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;span&gt;O &lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;marzipã&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt; é outro sabor marcante que me surpreende por me levar ainda mais longe, fazendo-me lembrar do cheiro que recendia pela casa dos meus avós, onde passei minha infância.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span &gt;São tantas e tão boas as lembranças que encontro em tortas de chocolate com bolachas &lt;i&gt;Maria&lt;/i&gt;, em amendoins açucarados, em cremes de baunilha, em bananas fritas com açúcar e canela — só para citar alguns —, que é preciso admitir que muitos dos meus melhores momentos foram compartilhados com doçura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span &gt;Doces sabores, doces lembranças? Estaria aí a explicação da gula pela glicose? Se for preciso explicar, Freud explica!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span &gt;Por enquanto, é um alívio saber que ainda posso desfrutar da memória do paladar recuperando muito do que minha memória já perdeu pelo caminho!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span &gt;E é a Ciência que confirma: as células do paladar e do olfato são as únicas do sistema nervoso que são substituídas quando velhas ou danificadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span &gt;Nem tudo está perdido!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;(Crônica de Lena Chagas, publicada na 7ª Antologia dos Anjos de Prata - 2006).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3988815754805466208-5100263261792758123?l=lena-e-letras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/feeds/5100263261792758123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3988815754805466208&amp;postID=5100263261792758123&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/5100263261792758123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/5100263261792758123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/2011/12/se-nao-me-falha-memoria.html' title=''/><author><name>Lena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3988815754805466208.post-7385564140010609237</id><published>2011-12-31T03:38:00.004-02:00</published><updated>2011-12-31T04:07:50.347-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h1 style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:17.0pt;mso-bidi-font-size: 10.0pt;color:navy;mso-font-width:150%"&gt;&lt;i&gt;Alicatlec&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:navy; mso-font-width:150%"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="color:navy"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span  &gt;    &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span  &gt;&lt;span style="color: navy; text-indent: 36pt; text-align: left; "&gt;Foi por quase uma década - e era a de 60 - e desde então guardo&lt;/span&gt;&lt;span style="color: navy; text-indent: 36pt; text-align: left; "&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="color: navy; text-indent: 36pt; text-align: left; "&gt;aquele som inconfundível, bem vivo na minha lembrança: tlec...tlec... Dois estampidos secos, de mesma intensidade e quase ao mesmo tempo, que se repetiam por inúmeras vezes, na minha infância.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span style="color: navy; "  &gt;Já era quase uma rotina acordar antes das 5h da manhã, pelo menos uma vez por mês, para pegarmos o trem que nos levaria a Estação Portão, um município de São Sebastião do Caí, interior do RS, onde se concentra o maior número de parentes da minha avó materna, com quem morei, desde os cinco anos. Tomávamos um café reforçado e, ainda escuro, de maletinhas nas mãos, lá íamos nós  duas para a parada do trem, à beira dos trilhos, na parte baixa da vila. Nem se cogitava a hipótese de pegar dois ônibus para fazer a tal viagem. O trem passava bem mais perto e era muito mais atraente, acolhedor e interessante. Não havia parada demarcada com sinalização. Era uma parada presumida, criada por um "acordo tácito" entre o maquinista, que já sabia onde parar e os passageiros, que sabiam onde ele pararia. Havendo gente esperando, ele parava; não havendo, passava devagar e seguia direto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span style="color: navy; "  &gt;Mas naquele dia, ele pararia. Éramos as únicas a congelar naquele frio cortante, mergulhadas na cerração que nos impedia de enxergar a mais de um palmo à frente do nariz. Enquanto esperávamos, perguntava para minha avó se o homem do alicatlec apareceria de novo. Ela insistia em me corrigir: "Fala direito, menina: a-li-ca-te!" Mas para mim, continuava sendo a-li-ca-tlec! E eis que, de repente, o apito do trem rasga aquela espessa nuvem gelada que nos envolvia e anuncia a sua chegada. Em seguida, já se podia ouvir o roçar de ferro contra ferro, indicando que ele diminuía a velocidade. De súbito, surge um farol que clareia tudo e aumenta à medida em que se aproxima de nós. Logo que para, o vapor que escapa da descarga nos atropela, antes que possamos colocar os pés nos estribos e subir no vagão. Em segundos, enquanto procuramos um assento duplo para sentarmos, ele retoma a velocidade e a viagem continua. Para mim, ela está  apenas começando!  Era uma verdadeira aventura aquela viagem que não devia durar mais do que cinquenta minutos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span style="color: navy; "  &gt;Sempre que íamos a Portão, a ida e a vinda eram a melhor parte da viagem! O trem de ferro me fascinava. Do apito característico e único - que avisava a proximidade de cada estação ou uma passagem de nível - ao balanço ritmado que nos jogava de um lado para o outro;  do barulho nos trilhos (tlec.. tlec... tlec.. tlec...) às fagulhas de brasa que entravam ou batiam nas janelas de vidro; do cheiro de lenha queimada ao homem do alicatlec. Tudo me fascinava, mas ele, além de tudo, me intrigava.  Ainda havia aquela paradinha, em uma das estações, para reabastecer o trem com água. Achava estranha a mangueira larga e mole, por onde a água passava! Antes mesmo de acabar, o trem saía andando e ela o ficava lambendo por alguns segundos, até cair, pendendo do poste que a prendia. Eu ficava na janela, olhando, até perdê-la de vista na próxima curva... e como havia curvas! &lt;b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span style="color: navy; "  &gt;Finalmente, lá pelas tantas  - nem tantas assim - chega a hora que eu tanto esperava! Surge daquela porta que separa um vagão do outro, aquele homem sério, sempre muito sério, dentro de um uniforme cáqui, já desmaiado pelo tempo, com um quepe da mesma cor na cabeça, óculos de aro preto e um instrumento estranho na mão. Quase sempre eu tinha de cutucar a vó, que a essa altura tentava sonecar : "Vó! Lá vem o alicatlec, lá vem o alicatlec!" Sem balbuciar uma só sílaba, ele chegava em cada um dos passageiros : quem embarcou fora da estação pagava a passagem ali mesmo; quem já tinha o bilhete de passagem, o entregava para ele. Todos em silêncio. - Outro "acordo tácito". -  Raramente ouvia-se algum comentário. Aquela figura silenciosa e de cara amarrada impunha respeito (ou medo?). Em poucos segundos, ele acomodava aquele alicate estranho na mão e, num movimento rápido : tlec, tlec..., perfurava o cartão e o devolvia, em seguida, ao seu dono. Meus olhos e minha curiosidade o seguiam por todo o vagão, até que todos os bilhetes estivessem furados. Quando havia muita gente, eu chegava a seguí-lo por entre as pessoas, até que ele se perdesse pela porta adentro e sumisse na passagem para o outro vagão.  Nunca entendi, naqueles tempos, por que tinha de haver um homem fardado, com quepe de guarda-noturno, óculos severos e cara tão sisuda,  dentro do trem, só para fazer um furo num cartão e, em seguida, devolvê-lo de novo. Queria saber, principalmente,  o que e como era aquilo que ele trazia na mão, com o que ele conseguia fazer aquele furinho assim, tão redondinho e sempre do mesmo tamanho. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span style="color: navy; "&gt;&lt;span  &gt;"Coisas de criança," - dizia minha avó!- "não faz tantas perguntas! É um alicate, e pronto!"  "Alicatlec!" - dizia eu - "Ele faz tlec... tlec!". Consegui descobrir, depois de muitas viagens e na medida em que tomava coragem para chegar bem perto e grudar o olho na mão dele, que o esquisito alicate tinha, numa de suas mandíbulas, uma ponta cilíndrica, lembrando uma carga de caneta &lt;i&gt;BIC&lt;/i&gt;, só que de metal e muito afiada na extremidade. Porisso aquele estampido, quando perfurava o bilhete de passagem, que era um cartãozinho retangular, de papelão, com uns dois milímetros de espessura: tlec...tlec e lá estava o furo! Vários furos por viagem e lá se ía o alicatlec! &lt;/span&gt;&lt;span &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: left;text-indent: 36pt; "&gt;&lt;span&gt;(Crônica de Lena Chagas, publicada na 2ª Antologia  dos Anjos de Prata - 2001)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; color:navy"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; color:navy;letter-spacing:.5pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3988815754805466208-7385564140010609237?l=lena-e-letras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/feeds/7385564140010609237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3988815754805466208&amp;postID=7385564140010609237&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/7385564140010609237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/7385564140010609237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/2011/12/alicatlec-foi-por-quase-uma-decada-e.html' title=''/><author><name>Lena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3988815754805466208.post-7818678878540524205</id><published>2011-07-21T23:20:00.018-03:00</published><updated>2011-07-22T18:37:29.252-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="font-weight: bold; margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; "&gt;MELHOR  IDADE?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; Deve ser porque, a partir dos 60, você começa a ouvir:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;margin-bottom:0cm;margin-bottom: .0001pt;line-height:normal"&gt;- MELHOR ela(e) ficar em casa; o sol está muito forte.&lt;/p&gt;- MELHOR ela(e) ficar em casa; pode ventar hoje.&lt;div&gt;- MELHOR ela(e) ficar em casa; está chovendo muito.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- MELHOR ela(e) ficar em casa; está muito frio lá fora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; "&gt;- &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;MELHOR ela(e) ficar em casa; a gente volta logo.&lt;br /&gt;- MELHOR ela(e) ficar em casa; na festa só vai gente jovem.&lt;div&gt;- MELHOR ela(e) ficar em casa; a gente volta tarde.&lt;div&gt;- MELHOR ela(e) ficar em casa com as crianças; a gente fica mais à vontade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR ela(e) ficar em casa com os gatinhos.&lt;/div&gt;- MELHOR ela(e) ficar em casa; o shopping está muito cheio.&lt;div&gt;- MELHOR ela(e) ficar em casa; os assaltos a velhos aumentaram muito.&lt;br /&gt;- MELHOR ela(e) ficar em casa; o carro já está cheio.&lt;div&gt;- MELHOR ela(e) ficar em casa; no parque tem muita gente.&lt;br /&gt;- MELHOR ela(e) não ir junto ao restaurante; nesse, não tem sopa.&lt;div&gt;- MELHOR levarmos a(o) vó(ô) pra casa do tio; a turma vem toda pra cá.&lt;div&gt;- MELHOR não levarmos a(o) vó(ô) à praia; tem muita areia, muito sol, muita gente...&lt;br /&gt;- MELHOR levar a(o) vó(ô) ao geriatra; anda trocando o nome dos meus amigos... será que é Alzheimer?&lt;div&gt;- MELHOR levar a(o) vó(ô) ao geriatra; anda meio esquecida(o)... será que é Alzheimer?&lt;br /&gt;- MELHOR você usar uma touca de lã; tem um arzinho frio na rua.&lt;div&gt;- MELHOR você fechar a janela; pode pegar uma pneumonia.&lt;br /&gt;- MELHOR você não comer churrasco; olha o colesterol!&lt;div&gt;- MELHOR você não comer salada de maionese; olha o colesterol!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você não comer batata frita; olha o colesterol!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você não comer esta torta de morango; olha o colesterol!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você não comer esta torta de sorvete; olha o colesterol!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você não comer esse camarão que você fez; olha o colesterol!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você não comer pizza; olha o colesterol!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você não comer ovo frito; olha o colesterol!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você não comer esta torta de chocolate; olha o colesterol e os triglicerídeos!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você não comer pão com geleia; olha a glicose!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você não tomar café com açúcar; a cafeína não te deixa dormir e a glicose alta traz diabetes!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você comer mingau de aveia; é bom pro colesterol.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você comer uma banana amassada; melancia é indigesta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você tomar uma sopa leve.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você não tomar vinho; “pega” fácil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você tomar um chá de boldo; é digestivo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você fazer hidroginástica; no clube, há horários só para idosos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você fazer artesanato; há grupos só para a ‘melhor idade’.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você fazer dança de salão; os velhinhos se divertem muito!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR tirar os tapetes da casa; cair e quebrar um osso nessa idade...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você mandar o seu namorado embora; ele só quer o seu dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR não sair sozinha(o).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR não dirigir; chama um taxi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR você viajar com pessoas da sua idade; há pacotes bem em conta para idosos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR só mexer neste botão vermelho do controle remoto (LIGA/DESLIGA).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- MELHOR levarmos a(o) vó(ô) para um lar geriátrico; será MELHOR para ela(e).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E tem muito mais! Aos poucos, "eu lembro"...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora, me diz: “MELHOR IDADE”... "MELHOR" PARA QUEM? "MELHOR" PARA QUÊ? "MELHOR" POR QUÊ?   &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-4HAl84q5LDs/TikUkD-EKwI/AAAAAAAAAS4/qE8kT5AQRmw/s1600/ira.png" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 33px; height: 37px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-4HAl84q5LDs/TikUkD-EKwI/AAAAAAAAAS4/qE8kT5AQRmw/s200/ira.png" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5632055418776988418" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;margin-bottom:0cm;margin-bottom: .0001pt;line-height:normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-font-family:Calibri;color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-font-family:Calibri;color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;line-height:115%;mso-bidi-font-family: Calibri"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3988815754805466208-7818678878540524205?l=lena-e-letras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/feeds/7818678878540524205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3988815754805466208&amp;postID=7818678878540524205&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/7818678878540524205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/7818678878540524205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/2011/07/melhor-idade.html' title=''/><author><name>Lena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-4HAl84q5LDs/TikUkD-EKwI/AAAAAAAAAS4/qE8kT5AQRmw/s72-c/ira.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3988815754805466208.post-8711231318991294691</id><published>2011-01-25T19:01:00.001-02:00</published><updated>2011-07-22T03:00:59.707-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sempre te espero chegar quando abro minha janela.&lt;div&gt;Enquanto não chegas, o mundo passa por meus olhos e parece nada fazer sentido: catástrofes, antes raras, enchem o cotidiano; crimes se multiplicam e se vê,  a cada dia, que mais se mata por vingança, ódio e até dizem que por amor se mata mais; economias sólidas e ditaduras inabaláveis desmoronam... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a tua janela, sem luz, continua fechada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O tempo - correndo para muitos -, zomba de mim que me iludo em acreditar no seu lento andar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu coração anuncia, num salto: luz na tua janela!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não posso te ver, mas sei que estás presente. Às vezes, isso até me basta. Mas só às vezes. Poucas vezes. Queria, mesmo, é ver teu rosto, teu sorriso, ouvir tua voz, ou, ao menos, um aceno, um olá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tantas lembranças enquanto fixo o olhar na luz acesa... tanta vontade de poder te fazer ter a mesma vontade...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sei quanto tempo se foi... já foi? Não vi quanto tempo. Parece pouco, mas deve ter sido muito... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nenhum movimento na tua janela, só a luz acesa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quantas vezes, e tudo igual, e, de novo, nada...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Também enxergas luz na minha janela e também sabes da minha presença. Parece ser o bastante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com nossas janelas abertas, parece que só nos permitimos a solidão como companhia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas, inexplicavelmente, deixamos a luz acesa, como nos dizendo: &lt;i&gt;estou aqui.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3988815754805466208-8711231318991294691?l=lena-e-letras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/feeds/8711231318991294691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3988815754805466208&amp;postID=8711231318991294691&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/8711231318991294691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3988815754805466208/posts/default/8711231318991294691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lena-e-letras.blogspot.com/2011/01/sempre-te-espero-chegar-quando-abro.html' title=''/><author><name>Lena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
